Dois canudos

[No meu próximo livro, publicarei uma palestra que fiz na Universidade de Quixadá sobre o comportamento das aves peralvilhas aos 26 anos vivendo em cativeiro com internet banda larga e TV paga e sua inter-relação com exus opinativos.]
Até agora não entendi como o Troy Brooks virou pra cima do Joel.
Isso só comprova a teoria, toda bateria que tem uma reação no final, com a emoção dos minutos esvaindo-se a flor da pele, tende a um resultado polêmico.
Sujeito lidera os 25 minutos, faz e acontece, o outro, pobrezinho, acuado, reage e os Deuses conspiram a favor do mais fraco.
Parko já tem o seu filme, sua frota de carros, casa própria.
Tem tambem um jeito de surfar original como não víamos a tempos no circo, assim como Fanning, mas falta alguma coisa.
Talvez devesse passar tres meses lendo sobre os feitos do Mark Richards no circuito mundial no final dos 70 e início dos 80.
Da maneira que vai, podemos estar assistindo a outro Cheyne, menos goiaba.
Mineiro foi uma grata surpresa e quem se ressente disso, lamento.
Na primeira bateria fez o Cêjota suar a camiseta de lycra até o último minuto em esquerdas caindo em placas, tamanho de respeito.
Não esperava uma evolução tão rápida em ondas como essas. Na minha opinião, passou no teste com louvor.
Se alguem acha que não, por favor aponte outro camarada da mesma idade que surfe e compita melhor que ele.
Digo mais: se o rapaz tiver a delicadeza de observar tudo como um aluno aplicado (Slater era assim, ainda é), pode aprender muito, suficiente para ainda terminar entre os top 16 - afinal, aí vem Japão, Europa e Brasil.
Pedrinho, por outro lado, parece disposto a provar para a ASP que mereceu a vaga.
Não precisa.
No Tahiti, perdeu numa bateria ridícula contra Greg Emslie e agora em Fiji foi aniquilado pelo Bobby numa bateria de poucas ondas.
Pedro quer mostrar, a cada bateria, que é capaz de surfar melhor do seu oponente. Pode até ser, como era no caso do Tahiti, mas dizia Shaun Thomsom ainda nos distantes e temíveis anos 80: Surfe radical não ganha campeonato.
Um dos maiores estrategistas de todos tempos, Shaun (que acaba de perder tragicamente seu filho num acidente em Durban) queria dizer aos garotos que chegavam ao circuito, Carroll, Curren, Lynch, que de nada adiantava surfar no limite da radicalidade se voce não soubesse as regras do jogo.
E as regras, amigo, se voce ainda não percebeu mudaram muito pouco.
Continuam entrando dois malandros na arena e apenas um sai vivo, simples como na Copa do Mundo.
Bobeou, rodou.
El Chicano Martinez vem fazendo um estrago em 2006.
[Pausa para eventual sarcasmo: me ocorre que essa corja que ama um trocadilho deve ter pronto uma manchete 'Bobbby não bobeia', palmas publicitárias, o autor tira a cartola, curva-se e agradece envaidecido]
Vejam o que esse camarada de Santa Bárbara fez até agora: um terceiro, um nono e uma vitória.
Em Tavarua, pega Danny Wills e se for uma batalha de tubos e nada acontecer de errado, vai pra frente.
O problema é que passando, encara ou o Cêjota ou Fanning, que tal ?
Peterson é outro que deixou a vitória escapar-lhe pelos dedos contra o Peterson australiano, Luke Stedman.
Luke está em 12º no ranking e ao que tudo indica está na ponta dos cascos, como diria nosso garanhão italiano aposentado, JS.
Tenho urticária quando vejo Stedman surfar.
A previsão para terminar o WCT de Fiji não é das melhores, o que pode favorecer Eugene e em nada abala Andy, que parece meio desinteressado mas assim que sentir cheiro de sangue vai despertar seu instinto carnívoro.


