Falta pouco
Daqui a algumas horas um brasileiro pode fazer história.
Pouca gente venceu de cara um evento desse porte como debutante: Curren, Nicky Wood, Fanning, Joe Engel, Gerlach.
Bobby Martinez, o outro latino da semi, periga tambem escrever seu nome nos livros.
Mineirinho leva vantagem num confronto com Taj se o julgamento for limpo.
O paulista é mais veloz, tem muito mais bico que Taj e hoje voa com mais autoridade (pelo menos ao vivo, porque em vídeo a história é outra) do que o australiano.
Aliás, TB vem ficando cada vez mais com menos bico, parece surfar com um disco desses de sandboard e suas manobras são, para mim ao menos, aflitivas por tanta falta de peso, volume.
O problema aqui (lá) reside na imaturidade que pode pesar, como pesou violentamente com Silvana Lima contra Rochelle Ballard.
Alguem viu o que vi ?
Numa bolsa de apostas, rasparia minhas economias jogando na Silvana contra a havaiana.
Sorte que não isso por aqui.
Silvana, que surfa melhor do que Rochelle até dormindo, competiu com a plenitude de sua inexperência, começando a bateria com uma onda medíocre, surfando ansiosamente cada uma de suas ondas e deixando a adversária solta para escolher a onda que quisesse.
No primeiro capítulo do manual de competição diz: numa bateria de 30 minutos, contando apenas duas ondas, é sentar e esperar, não importa o mar.
Slater pode se dar ao luxo de sair pegando qualquer coisa.
Curren fazia isso tambem, começava com ondas fracas e ia aumentando sua média no decorrer da disputa.
Machado tambem usa essa estratégia.
Silvana tinha uma chance de ouro nas mãos, outras virão - espero que tenha aprendido algo desta vez.
Nessa etapa tudo conspirou para uma atuação espetacular do De Souza, como diz Potter.
As ondas quebradinhas com rampinhas perfeitas para decolagem favorecem bem mais um surfista com linha quebrada.
As manobras são mais imediatas, não resta muito espaço para desfilar classe e desenhar a onda como seria o esperado no famoso Super banco.
Sorte do Nunes, do Mineiro, do Toby Martin.
Raoni e Martinez não tem problemas com ondas mais alinhadas: o primeiro é de Saquarema e o segundo de Santa Barbara.
De um lado a 'velha' guarda, Slater e Taj, do outro Bobby e Mineirinho.
A final clichê do confronto de gerações apetece menos do que uma plena de vigor e jovialidade.
Bell's beach em seguida favorece novamente o chicano, acostumado com água fria e direitas longas, uma reprise do que aconteceu em 2005 dá vantagem ao Mineiro que é capaz de arrastar em Johanna.
Mas, por outra, esqueçam tudo que escrevi, o ano cheira mesmo a Slater, o homem que se recusa a envelhecer.
Me digam, quem surfou mais que o careca até agora ?
Se não ganhar, azar dos fatos, diria Nélson Rodrigues.


