Fiji embrulhado
Quem vai atirar primeiro ?
Tenho a impressão que o Andy se acha tão superior do que os outros, e isto não deve passar duma impressão, que contra Damien H. na semi final ele não ligou em ser escovado.
O problema é sério.
Andy dá o sangue apenas contra Slater, que considera adversário a altura, eventualmente se coça contra Eugene, Joel, ou Cigêi (que é campeão mundial), mais do que isso, não faz.
Assisti a bateria torcendo pelo regular, como um velho torcedor de arquibancada.
A cada instante esperava a reação do tri-mundial, afinal ali estava um tri-mundial, pombas.
Andy parecia desinteressado com a contenda e ficou essa sensação de desprezo pelo adversário.
Tudo apontava para uma final em família: a família Globe.
Mas o matuto australiano não tem o espírito corporativista que acometeu Irons senior e tratou de colocar água na Fosters dos Robigúdis.
Cansdell é um goofy de pés muito bem plantados na prancha, firme como uma quilha de encaixe. Trabalha em silêncio, tem uma semi-final em Pipe no WQS mais difícil para um estrangeiro conseguir boa colocação - da mesma forma que Dingo fez, anos antes.
Venceu em Lacanau um seis estrelas batendo na final Timmy Reyes (em ascensão, 33,17, 9 e 5), outro que foi um monstro em Fiji e enterrou até os bagos no Irons junior.
Quando digo matuto, quero dizer natural duma cidadezinha Mullaway, onde nada acontece e donde ele já se pirulitou quando classificou-se para o 'CT.
É o segundo estreante a fazer uma final nesse 2006, um ano mais novo do que Bobby 'El Chicano', 4 mais velho do que nosso Mineiro.
Com um quinto em Bells e esse vice, Shaun vai para oitava posição no ranking, Bobby continua em segundo, reafirmando sua condição de candidato ao título com um respeitoso quinto em Fiji.
Martinez surfou a melhor onda do evento, mostrando ao resto do mundo que esse ano não há sorte- nem boa, nem má - há sim, vontade.
A grande surpresa pra mim foi mesmo ver Andy jogar fora sua oportunidade de entrar no jogo e botar pra quebrar.
O que espera ele ? A volta do Rei ?
Sua consistência é impressionante, um nono, dois quintos e um terceiro, mas falta a explosão, ou melhor, falta a fagulha para explodir.
Os irmãos H. surfaram numa ansiedade enorme durante todo evento e de alguma forma conseguiram ir passando pelos adversários sem precisarem nunca do esforço extra: ora o Chris Ward ficava congelado, ora o O'raff fazia apenas 4 pontos...
As baterias nunca esquentavam a ponto de ferver.
Chris Cote, o bobo da corte, conseguiu o que queria desde o ano passado e teve mais destaque na cobertura do que o motivo que o levou pra lá em primeiro lugar: os surfistas.
Passei a assinar a Transworld depois do sensato editorial que Joel, esse sim o homem por trás (epa!) da revista, escreveu falando sobre as mudanças de foco e rumo editorial.
Não me arrependo, assim como não me arrependo de assinar Surfer, Surfing, Waves, Tracks, Surf Europe, Underground Surf (mesmo com falta de periodicidade...), Surfer's Path (pelo Drew Kampion), Adrenalin (apesar do paspalho do Vicente Medeiros), ASL, The Surfers Journal e Surf Portugal.
Fora a Surf Portugal e Surf Europe, que são cortesia, todas outras são pagas com o parco dinheirinho que sobra, quando sobra- e sobra cada vez menos.
Portanto, me sinto livre para discutir, criticar e debater sobre qualquer uma dessas publicações.
Tipos como os irmãos Cote (ou aberrações egocêtricas como Vicente Medeiros) são fenômenos passageiros e rapidamente esquecidos, mas aborrecem enormemente quem quer ver seu WCTzinho sossegado ou ler sua querida revistazinha em paz.
Nunca ataquei marcas ou instituições, seja revista ou TV. O que ataco, sem dó nem piedade (como diria nosso presidente André Costa) porque torcedor, são os equivocados por trás de cada uma delas.
A isso chama-se isenção.
A Maioria já ouviu falar do termo, quase sempre mal acompanhada de políticos de caráter duvidoso e geralmente precendendo suas mentiras.
Isenção é renúncia, independência.


