La Punta

Lembra da marchinha ? 'O Brasil vai lançar foguete...Cuba tambem vai lançar...Lança Cuba Lança, quero ver Cuba lançar... (para cantar em ritmo de marchinha de carnaval)' Taj balança o sino.
Cada dia que passa admiro mais o Andy Irons.
Em Bell's, quando tudo parecia perdido, e uma surra feia diante de um imbatível e determinado Fanning parecia não apenas iminente, mas definitiva, eis que Irons surge, agora sim, irresistível, soberano.
Essa qualidade, de evoluir diante da adversidade - e dos adversários - é o que faz a diferença nos grandes vencedores: Ali, Senna, Armstrong, Romario, Slater, Zidane.
Assisitindo a segunda etapa do WCT de 2007 tive a nítida impressão que o campeão sairia de disputa entre Parko e Fanning.
Slater parecia distante, alheio ao cameponato até, preocupado apenas em testar sua capacidade de surpreender e extender o desempenho em competição à níveis extraordinários, caindo da prancha sem culpa e, aparentemente, sem compromisso.
Até agora, em todos momentos de 2007 Slater não é a máquina sobre humana de ganhar que foi em 2006, é qualquer coisa de intermédio, diria Mário de Sá Carneiro, uma entidade que serve de parâmetro para todos outros se medirem - Slater hoje é o começo e o fim de cada evento.
Explico: Assistimos o WCT por ele, metade torcendo contra e metade a favor, ninguem fica alheio.
E Andy, diz um caro amigo aqui ao lado no saltitante MSN, está num andar próprio, um pouco abaixo do Kelly e um pouco acima do Fanning.
O mesmo amigo, Capitão Ahab, confessa decepcionado com De Souza e o compara, vejam só a sutileza, com Sérgio Noronha, no auge da forma do Fedelho, pai torcendo na beira, ali em frente ao 3100.
Eu torci abraçado à bandeira pelo Pedra, que levantou sobrancelhas e ameaçou verdadeiramente Andy no round 3 até o último segundo de bateria.
Pigmeu teve a falta de sorte de esbarrar no favorito, Macaco albino, em dia inspirado.
Acho que no Tahiti o garoto vai estar com fome suficiente para avançar da terceira fase.
Raoni e Léo são as nossas atuais esperanças de atuações estrondosas mas no Tahiti aposto mesmo no Pig.
Léo mostrou em Bell’s que suas idas e vindas para o Perú emprestaram-lhe noção para ocupar bem o espaço de ondas com muita área, Punta Rocas é uma excelente escola.
Isso e Saquarema, economiza-se uma fortuna em viagens.
Parêntese pro Neco:
(Em Margareth River ninguem surfou com tanta raiva e poder. Fosse em Bell’s sua bateria contra Campbell, apostaria um dedo na vitória do cabeção.)
Esse Whitaker que bateu Kelly contando com uma impecável escolha de ondas e um julgamento misericordioso com os esforçados e pacientes, não passa de uma versão atualizada do Bryce Ellis, ou do Marty Thomas, quem sabe um Hans Hedeman com menos sangue frio ?
Alguem em sã consciência acredita que Bede se segura nos top 5 até a metade do ano ?
Empatados, cabeça com cabeça, em primeiro estão Taj e Fanning, ambos com histórico senão trágico, pouco favorável em Teahupoo – apesar dum terceiro meio sem querer do Taj num ano que o mar não assustou muito.
Falando nele, T.B., seu caminho foi suave e nada ameaçador (para um candidato ao título, digo eu), havemos de convir que Royden Bryson, Dayyan Neve e Whitaker não são o que podemos chamar de fortes concorrentes.
Fanning teve que se provar mais em Bell’s e contou tambem com a sorte para tirar Parko da disputa, menos por mérito, mais pelas imperdoáveis calmarias que Bell’s impõe aos competidores.
As duas próximas etapas devem ser descarte dos líderes e Slater, com um terceiro e um quinto e Irons, já com seu descarte e um segundo vão começar sua briga particular pelo título.
Ou alguem se ilude que o título vai para outras mãos em 2007 ?


