A Palavra
O melhor de escrever é ser lido - e o pior tambem.
Leitor interpreta o texto do jeito que quiser, depois de escrito o texto é dele, leitor.
Quando digo que acho nossa imprensa infantil, não ataco pessoalmente ninguem, por respeito e, em poucos casos, por amizade.
Existe um abismo enorme entre o autor e a obra.
García Márquez odiava Borges mas 'carregaria um livro seu no bolso por toda a vida'.
Isso porque Borges, escritor genial como Márquez, tinha posições políticas difíceis de engolir - como aceitar condecoração do Pinochet em plena primavera da ditadura chilena, ou apoiar o governo americano na guerra do Vietnã.
Aqui o caso é inverso, na maioria das vezes tenho afeição ao camarada e desdenho a obra.
Adrian Kojin é para mim, se isso importa, surfista de verdade, desses com perfil no Surfer's Journal e tudo, mas tem tarefa ingrata em dirigir a mais vendida e agradar as exigências do todo poderoso Mercado; que insiste em apontar para baixo, sempre.
Tenho admiração pelo desprendimento que o cara tem com a vida, a última dele, mudando de mala e cuia pra Ilha Bela.
O Malandro viveu pro surfe como poucos aqui no Bananão - vive ainda.
Num comentário abaixo, o Yankee-santista Fabinho desce a lenha no Peterson Rosa e seu estilo.
Ora bolas, Fabinho, Peterson merece estátua no canal um, dois, tres e quatro.
Em vinte anos, ele, Vitinho, Teco e cia ltda serão lembrados pelo que fizeram e fazem, não pelo Brasil, mas por eles mesmos e que muito nos honra.
Peterson tem o arrebatamento que todo surfista, brasileiro ou não, precisa para ser alguma coisa, qualquer coisa.
Por muito menos, voce decora a parede do quarto com fotos de santos do pau oco.
Até nos excessos Peterson dá de dez nos seus ídolos.
E tem mais, como todas limitações, Peterson tem sido nos últimos 5, 6 anos o melhor brasileiro no Tour e um dos poucos que melhora a cada ano que passa nas condições mais aterradoras - apesar de confessar, franco como é, que sente medo como todos nós.
A Palavra é cruel, permite tudo ao leitor.
Elogio Raoni e rezo para que o Mineirinho consiga o volume do surfe que o local de Itaúna desenha na onda.
Com a idade que tem, Mineirinho tem tudo, mas falta acupar mais espaço em ondas de mais área, isso ele vai alcançar seguindo o WCT e aprendendo com a turma que lá está a mais tempo.
Melhor de tudo, é que ele quer aprender e sabe que tem muito chão pela frente, como fica claro na entrevista que Valente fez em G.Land com nosso campeão mundial do WQS.
Desejo de instruir-se na universidade da ASP dará ao Mineirinho, em dois ou tres anos, munição para sonhar com os 5 primeiros do WCT.
Torço por ele como pelo meu Flamengo e me comovi quando ganhou na Bahia, ao vivo na TV.
Quem duvida, leia aqui esse texto


