Rascunhos

Iggy, ou Alex Knost, dependendo do seu humor.
[Texto inedito e inacabado de maio de 2003, epoca que eu ainda tinha alguma coisa pra dizer]
Iggy Pop resumiu parte duma era com a seguinte frase:”Teve um tempo onde voce podia ir assistir aos Rolling Stones e aprender alguma coisa sobre como se vestir, como falar, como agir e como dançar…”
Essas citações servem pra tudo, aplique-se ao surfe e temos nosso meio atacado pela mais velha forma de corrupção da essência de alguma coisa, ou de alguem: o corporativismo.
Resolveram que a partir de agora o surfe, com o ‘sério’ objetivo de chegar aos jogos olímpicos, deve se regularizar como qualquer outro esporte e adotar o antidopping.
O assunto é explosivo e a polêmica, barata.
Todo mundo que tem um mínimo interesse por esporte, sabe que as drogas chamadas estupidamente de recreacionais, não ajudam em nada um atleta no seu desempenho, muito pelo contrário.
Rabbit Bartholomeu, fiel ao seus, escreveu uma carta oficial em nome da ASP alegando que surfistas não se drogavam como esses super-atletas olímpicos. Nada de remédios para ficar mais veloz, mais forte ou mais resistente.
Tirando o Lord Inglês Ted Deerhurst, o primeiro surfista profissional da Grã Bretanha, pioneiro em usar a musculação para tentar, em vão, aumentar seu rendimento dentro d’água, fora esse senhor, não conheço outro surfista com intenção de ser campeão mundial que se beneficie com ‘Bombas’, ou exercícios exagerados a base de estimulantes.
Na esperança de punir os desobedientes, a perna francesa saiu na frente na caça aos ‘air-heads’. É exigido teste anti-dopping durante os campeonatos WQS e WCT em Anglet, Hossegor e Lacanau. Segundo li em nota divulgada pela própria associação, dois surfistas que se negaram a realizar os testes foram banidos dos campeonatos em areias francesas.
Os nomes são omitidos.
Os World Games, exatamente ali, onde existem as maiores aspirações políticas, e por que não ?, mercadológicas, já se comprometeram com o comitê olímpico que irão, sim, sortear e testar seus campeões. O esporte elevado a categoria olímpica pode ter mais aporte de verbas dos governos, etc…
A simples idéia do surfe virar um bom exemplo me dá calafrios. Quase conseguiram proibir que servissem cerveja nas áreas de competição.
O que está acontecendo ?
Querem apagar o genial discurso que Simon Anderson fez, trêbado, quando liquidou o Bell’s em 1981, com 12 a 15 pés de ondas, numa prancha esquisitíssima, com 3 quilhas ?
Vão conseguir renegar o título de Jeff Hackman nessa mesma praia em 1974, cosmicamente alterado pelo LSD ?
Ou então rasgar a página onde se conta a histórica sessão de surfe noturno de Jock Sutherland em Waimea com mais de 25 pés, duas gotinhas além do ‘normal’ ?
Em breve vamos estar na TV anunciando planos de saúde.
Ué ? mas já não estamos, carapálida ?


